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Como escolher a ortótese certa?

Uma ortótese é um apoio externo para dar estabilidade, limitar um movimento que irrita, ou proteger uma articulação enquanto recupera. Pode facilitar o dia-a-dia quando é bem escolhida e, sobretudo, bem ajustada.

Objetivo

O primeiro passo é decidir o que se procura:

  • Alívio e sensação de segurança no dia-a-dia: suportes elásticos/compressivos;
  • Estabilidade a sério (entorses, instabilidade, regresso ao desporto): ortóteses semi-rígidas com tiras/estabilizadores;
  • Limitar movimento por indicação clínica (pós-lesão, pós-cirurgia, fraturas específicas): talas/ortóteses rígidas, muitas vezes com plano de uso definido;
  • Descarregar carga (ex.: alguns casos de artrose do joelho): ortóteses, já num patamar mais específico e, idealmente, orientado por profissional. 

Nível de suporte

  • Elástico / compressivo: mais confortável, mais discreto, bom para tarefas leves e dor irritativa;
  • Semi-rígido: melhor para instabilidade (muito típico em tornozelo e joelho);
  • Rígido / imobilizador: para limitar movimento de forma clara, quase sempre com recomendação clínica. 

Se tens entorses repetidas no tornozelo e queres voltar ao treino, faz sentido olhar para ortóteses de tornozelo mais estáveis: há recomendações clínicas que reconhecem o uso de brace como opção eficaz na prevenção de recidivas em entorses laterais.

Medir bem

As marcas usam pontos de medição diferentes (acima da rótula, abaixo da rótula, perímetro do tornozelo, palma e antebraço, etc.). Por isso:

  • Usa fita métrica flexível, direto na pele ou por cima de roupa fina;
  • Mede no ponto indicado no guia de tamanhos do produto;
  • Faz duas medições e aponta a média, se houver diferença;
  • Se ficas entre tamanhos, não adivinhes: confirma com o guia e pede ajuda.

Uma ortótese grande demais escorrega e perde a função, enquanto pequena demais aperta e cria problemas.

Ajustes

Uma ortótese bem colocada fica estável e não anda aos saltos com o movimento. Ao mesmo tempo, não pode cortar circulação nem comprimir nervos.

Sinais de que está apertada demais:

  • Formigueiro, dormência, dedos frios, mudança de cor;
  • Dor a aumentar ao fim de minutos;
  • Marcas profundas que não desaparecem em pouco tempo.

As primeiras 48 horas

Está atenta à pele nas primeiras 48 horas, olha para a pele e confirma se existe assadura, vermelhidão persistente ou zonas em ferida. Se surgir, pára e pede orientação. 

E cuidado com usar a ortótese por cima de dobras de roupa, costuras grossas ou meias enrugadas, porque isso vai criar irritação.

Mais horas?

Em suportes rígidos (e em alguns semi-rígidos), o quando usar varia muito. Há orientações que indicam uso fora da cama ou durante atividades específicas, conforme a prescrição.

Manutenção rápida

A maioria das ortóteses pode ser limpa de forma simples com água, sabão e secagem ao ar, sem fontes de calor diretas.

Quando pedir ajuda antes de comprar

  • Dor forte após queda/trauma, perda de força, suspeita de rotura;
  • Feridas, pele muito frágil, diabetes com sensibilidade reduzida;
  • Inchaço importante ou alterações de cor/temperatura no membro;
  • Dúvida entre dois tamanhos ou entre dois níveis de suporte.

Como medir as ortóteses mais usadas

1) Joelheiras elásticas / compressivas

O mais comum é pedirem perímetros.

  • À volta do joelho, ao nível do centro da rótula (fita a dar a volta completa);
  • Alguns modelos pedem também:
    • 10–15 cm acima da rótula (coxa);
    • 10–15 cm abaixo da rótula (gémeo/perna);

Dica: mede com a perna esticada e relaxada. Se fizeres com o joelho muito dobrado, dá valores diferentes.

2) Joelheiras semi-rígidas (com estabilizadores/dobradiças)

Aqui quase sempre contam dois ou três pontos, porque o apoio precisa de agarrar bem em cima e em baixo.

  • Coxa (10–15 cm acima da rótula);
  • Perna (10–15 cm abaixo da rótula);
  • Por vezes, perímetro no centro do joelho;

Dica: Se ficas entre tamanhos, olha para o guia do fabricante: há modelos em que compensa subir e outros em que compensa descer (para não escorregar).

3) Banda patelar (suporte patelar)

Mede o perímetro logo abaixo da rótula, na zona do tendão rotuliano.

  • Fita a dar a volta à perna, 1–2 cm abaixo da rótula.

Dica: Como é uma banda estreita, o risco aqui é usar demasiado apertada. Se sentes formigueiro ou o pé fica frio, está a passar do ponto.

4) Tornozeleiras elásticas / de compressão

Normalmente pedem o perímetro do tornozelo.

  • Mede à volta do tornozelo, passando pelos ossos.
    Alguns modelos pedem também:
  • Perímetro do peito do pé (zona do atacador, a meio do pé)

Número de calçado (sobretudo se a ortótese entrar no sapato)

5) Tornozeleiras semi-rígidas

Além do perímetro do tornozelo, muitas marcas cruzam com o tamanho do calçado.

  • Perímetro acima dos maléolos (2–3 cm acima dos ossos);
  • Número de calçado;

Dica: Se não cabe no teu sapato habitual, vais acabar por não a usar.

6) Punho / mão (tala de punho)

Aqui variam muito, mas os pontos típicos são estes:

  • Perímetro do punho (na prega do punho, onde começa a mão);
  • Às vezes, perímetro da palma (à volta dos nós dos dedos, sem incluir o polegar);
  • Em talas mais compridas: comprimento do punho até à ponta do dedo médio (ou até ao início dos dedos, depende do modelo).

Dica: Confirma sempre se é mão direita ou esquerda. 

7) Cotoveleiras

  • À volta do cotovelo, ao nível da articulação;
    Alguns guias preferem:
  • 5 cm acima e/ou 5 cm abaixo do cotovelo;

Dica: Se a cotoveleira enrola ou desce durante o dia, costuma ser tamanho a mais ou tecido pouco aderente para o teu formato.

8) Cintas lombares

Mede o perímetro do tronco no ponto que o fabricante indica (não é sempre igual).

  • O mais comum: à volta do abdómen ao nível do umbigo;
  • Noutros modelos: à volta da bacia/cristas ilíacas (mais baixo, zona das ancas);

Dica: Se estás entre dois tamanhos, pensa no uso: para tarefas curtas e específicas, pode tolerar mais firmeza; para muitas horas, um tamanho demasiado justo torna-se insuportável.

9) Colar cervical

  • Altura do pescoço: do ângulo da mandíbula até à base do pescoço (zona acima do osso do peito);
  • Perímetro do pescoço (nem sempre pedido, mas ajuda);

Dica: Se o queixo não assenta bem ou se o colar empurra a cabeça para cima, a altura não está certa.

A tua segurança é a nossa prioridade.

–Equipa Drartus

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