Pickleball: a nova tendência do desporto que está a conquistar muita gente
Criado nos Estados Unidos em 1965, o pickleball passou, em poucos anos, de uma modalidade pouco conhecida fora do seu país de origem, para um desporto cada vez mais presente em clubes, centros desportivos e redes sociais mundialmente. O crescimento foi particularmente expressivo nos Estados Unidos, onde o número estimado de praticantes passou de 4,2 milhões em 2020 para 24,3 milhões em 2025. O perfil dos praticantes também mudou. Durante muitos anos foi associado sobretudo a adultos mais velhos, atualmente os jovens entre os 13 e os 24 anos representam uma das faixas etárias com maior crescimento na modalidade.
Parte deste interesse explica-se pela própria estrutura do jogo. O campo é pequeno, as regras fundamentais aprendem-se facilmente e é possível começar a trocar bolas sem dominar uma técnica muito complexa. Isso não significa que seja um desporto sem exigência ou estratégia. À medida que o nível sobe, posicionamento, antecipação, controlo da bola e tomada de decisão tornam-se cada vez mais importantes.
O que é o pickleball?
O pickleball é um desporto de raquete que reúne algumas características semelhantes ao ténis, ao badminton e ao ping-pong. No entanto, as regras e a dinâmica são diferentes destes desportos. Pode ser jogado individualmente ou em pares, sendo a variante de pares a mais comum.
O campo mede 6,10 metros de largura por 13,41 metros de comprimento, tanto em singulares como em pares, o que quer dizer que é aproximadamente do tamanho de um campo de badminton de pares. A rede fica a cerca de 86 centímetros de altura no centro. Cada jogador utiliza uma raquete rígida, sem cordas, e uma bola de plástico perfurada.
O serviço é feito na diagonal, a partir de trás da linha de fundo. Nas regras tradicionais, a bola recebe o impulso com um movimento ascendente vindo de baixo da cintura. Mas também é permitido o chamado drop serve, no qual o jogador deixa a bola cair antes de lhe bater.
Uma das regras que mais influencia o jogo é a chamada regra dos dois ressaltos. Depois do serviço, a equipa que recebe a bola tem de deixar a bola ressaltar antes de a devolver. A equipa que serviu também tem de deixar essa devolução ressaltar antes de poder jogar a bola. Só depois destes dois ressaltos é permitido jogar no ar.
Junto à rede existe ainda uma zona com cerca de 2,13 metros de profundidade conhecida como non-volley zone ou, informalmente, kitchen. Um jogador não pode executar um vólei enquanto estiver dentro dessa zona nem entrar nela como consequência do movimento após bater a bola no ar. Esta regra reduz a vantagem de permanecer constantemente encostado à rede e dá ao pickleball uma componente tática muito própria.
Nos jogos com a pontuação tradicional, só a equipa que serve pode marcar pontos. O formato mais habitual termina aos 11 pontos, com uma diferença mínima de dois, embora existam outros sistemas e formatos competitivos.
O que distingue o pickleball de outras modalidades de raquete?
À primeira vista, pode parecer apenas uma versão mais pequena do ténis. Na prática, há diferenças suficientes para alterar bastante a forma de jogar.
Um campo de ténis tem 23,77 metros de comprimento, enquanto um campo de pickleball mede 13,41 metros. As distâncias mais curtas significam que há menos terreno para cobrir, mas também menos tempo para reagir quando os jogadores estão próximos da rede.
Também muda o material. Em vez de uma raquete com cordas e de uma bola de ténis pressurizada, utiliza-se uma raquete sólida e uma bola de plástico perfurada. A bola perde velocidade mais depressa, o que contribui para trocas diferentes das que se veem no ténis.
Em relação ao padel, a diferença mais evidente está no campo. O pickleball não utiliza paredes como parte do jogo. No padel, depois de ressaltar no chão, a bola pode tocar nas paredes e continuar em jogo, algo que muda por completo a construção dos pontos.
A zona junto à rede é outra particularidade importante. No ténis ou no padel, um jogador pode aproximar-se bastante da rede para executar um vólei. No pickleball, a non-volley zone impede essa estratégia dentro dos seus limites e obriga a trabalhar mais a colocação da bola.
Por isso aparecem com tanta frequência os chamados dinks: bolas curtas e controladas que passam pouco acima da rede e caem na zona de não vólei do adversário. Não são apenas bolas lentas. Servem para dificultar um ataque direto e criar uma oportunidade melhor para acelerar o ponto.
Um desporto acessível não significa um desporto sem esforço
O campo mais pequeno pode dar a ideia de que o pickleball exige pouco fisicamente, mas os dados disponíveis não sustentam essa ideia.
Num estudo com adultos mais velhos, a frequência cardíaca média durante os jogos de singulares e pares, correspondeu a cerca de 70% da frequência cardíaca máxima estimada. Mais de 70% do tempo de jogo foi passado em zonas de frequência cardíaca classificadas como moderadas a vigorosas. Os singulares implicaram também mais passos por hora do que os pares.
Isto não significa que todas as partidas tenham a mesma intensidade. O nível dos jogadores, a duração das trocas, o formato de singulares ou pares e o tempo de descanso alteram bastante o esforço realizado.
A investigação disponível sobre saúde ainda é pequena quando comparada com modalidades estudadas durante décadas. Uma revisão publicada em 2024 encontrou 27 trabalhos sobre pickleball e saúde ou bem-estar em adultos e concluiu que existem resultados promissores ao nível da atividade física, aptidão e componente social, sobretudo em adultos mais velhos. Os próprios autores salientam, contudo, que ainda são necessários estudos de maior dimensão e acompanhamento mais prolongado.
O risco de lesão existe
A facilidade com que alguém consegue começar a jogar pode criar uma falsa sensação de segurança. O pickleball envolve acelerações, travagens, mudanças rápidas de direção, rotações e movimentos de alcance para bolas afastadas do corpo. Uma pessoa pouco habituada a este tipo de esforço pode sentir bastante mais dificuldade do que esperava.
Os dados dos serviços de urgência norte-americanos mostram um aumento acentuado das lesões associadas ao pickleball à medida que o número de praticantes cresceu. Entre os mecanismos mais registados estão as quedas, enquanto fraturas, entorses e distensões aparecem entre os diagnósticos mais frequentes. Os adultos mais velhos têm uma representação particularmente elevada nos casos que chegam às urgências.
Estes números precisam de contexto. São dados de pessoas que recorreram a serviços de urgência, não de todos os praticantes de pickleball, pelo que não permitem calcular diretamente a probabilidade individual de sofrer uma lesão. Também não demonstram que o pickleball seja mais perigoso do que outros desportos de raquete.
Servem, isso sim, para mostrar que começar devagar faz sentido. Calçado adequado a movimentos laterais, algum aquecimento antes de jogar e uma progressão gradual da duração e intensidade das partidas são medidas simples, sobretudo para quem esteve muito tempo sem praticar exercício. Em jogadores mais velhos, o equilíbrio e a capacidade para travar e mudar de direção merecem atenção particular, já que as quedas surgem repetidamente nos estudos epidemiológicos.
Porque está tanta gente a experimentar
Não existe uma única explicação para o crescimento do pickleball. O campo reduzido facilita a organização de jogos, os primeiros contactos com a modalidade não exigem anos de aprendizagem técnica e jogar em pares acrescenta uma componente social que parece ser relevante para muitos praticantes.
Ao mesmo tempo, seria errado apresentá-lo como um desporto exclusivamente para pessoas mais velhas. Os dados recentes dos Estados Unidos mostram uma base de praticantes cada vez mais jovem e diversificada.
Talvez seja precisamente essa combinação que ajude a explicar o fenómeno: é possível começar sem dominar uma técnica complexa, mas existe profundidade suficiente para continuar a aprender. Um principiante consegue divertir-se relativamente cedo; um jogador experiente continua a trabalhar posicionamento, ritmo, antecipação e decisão.
E é aí que o pickleball deixa de parecer apenas uma moda curiosa. É um desporto com regras próprias, exigência física real e uma comunidade de praticantes que cresceu muito depressa. Para quem procura experimentar uma nova modalidade de raquete, pode ser uma alternativa interessante, desde que a simplicidade dos primeiros jogos não seja confundida com ausência de técnica ou de risco.
Perguntas Frequentes Relacionadas:
É preciso saber jogar ténis para começar?
Não. Experiência em ténis, padel ou outras modalidades de raquete pode ajudar na coordenação e leitura da trajetória da bola, mas não é necessária para aprender pickleball.
Pode entrar-se na kitchen?
Pode. O que não é permitido é executar um vólei enquanto o jogador toca na zona de não vólei ou na respetiva linha. Se a bola ressaltar primeiro, o jogador pode entrar nessa zona para a devolver.
É menos exigente do que o ténis?
O campo é substancialmente menor, o que reduz a distância total que é necessário cobrir. Isso não permite concluir que todas as partidas sejam fisicamente leves. A intensidade varia bastante e, sobretudo nos singulares ou em jogos competitivos, pode ser considerável.
Que material é necessário para começar?
Uma raquete de pickleball, uma bola própria para a modalidade, calçado adequado à superfície e acesso a um campo. Existem bolas com características ligeiramente diferentes para utilização interior e exterior.

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