A atividade física pode ajudar a viver mais anos?
Há dados que mostram que pessoas ativas vivem mais e com menos limitações.
Quanto exercício é preciso para aumentar a esperança de vida?
Quanto tempo de vida se pode ganhar com exercício?
Numa grande análise publicada na PLoS Medicine, cumprir pelo menos o mínimo recomendado de atividade física, esteve associado a um ganho médio de cerca de 3,4 a 4,5 anos de esperança de vida em comparação com a inatividade. Uma revisão científica mais ampla encontrou estimativas de ganho de longevidade entre 0,4 e 6,9 anos, dependendo do estudo e do perfil das pessoas analisadas.
O mais importante não é só viver mais, mas viver melhor durante mais tempo.
A Organização Mundial da Saúde refere que as pessoas insuficientemente ativas têm um risco de morte 20% a 30% superior ao das pessoas suficientemente ativas. A atividade física regular ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns cancros, quedas e perda de função física, o que explica porque tantas pessoas chegam a idades avançadas com mais autonomia quando se mantêm ativas.
O que muda no corpo com a prática regular?
Quando a pessoa pratica atividade física regular:
- O coração bombeia sangue com menos esforço;
- Os vasos sanguíneos mantêm-se mais flexíveis;
- Há melhor controlo dos níveis de açúcar no sangue;
- O sistema imunitário responde de forma mais equilibrada.
Outro ponto pouco falado: o exercício ajuda a reduzir a inflamação crónica de baixo grau (um dos fatores associados ao envelhecimento acelerado e a várias doenças).
Caminhar todos os dias faz mesmo diferença?
Caminhar todos os dias faz uma grande diferença. Caminhar cerca de 7.000 a 10.000 passos por dia está associado a:
- Melhor saúde cardiovascular;
- Menor probabilidade de desenvolver doenças metabólicas (problemas em que o corpo deixa de gerir bem aquilo que consome, como diabetes, obesidade…).
Curiosidade: não é preciso chegar sempre aos 10.000. Estudos mostram que o maior benefício surge ao sair do sedentarismo. Passar de 2.000 para 6.000 passos já tem um bom impacto.
Treino de força influencia a longevidade?
O treino de força influencia a longevidade. Com o passar dos anos, o corpo perde a massa muscular naturalmente. Isso tem impacto direto na autonomia. Então, treinar força ajuda a:
- Preservar músculo;
- Proteger os ossos;
- Reduzir risco de quedas;
- Manter capacidade funcional no dia a dia.
O exercício abranda o envelhecimento?
O exercício abranda o envelhecimento. Existem estudos que mostram que a atividade física:
- Pode ajudar a preservar o comprimento dos telómeros (associados ao envelhecimento celular);
- Melhora a função cognitiva;
- Reduz o risco de declínio mental.
Não é um anti-envelhecimento milagroso. Mas desacelera vários processos ligados ao desgaste do corpo.
Que fatores impedem os efeitos de longevidade resultantes do desporto?
Fazer exercício ajuda, mas não anula tudo o resto. Há vários fatores que podem cortar esse efeito:
- Tabaco
Este é o mais pesado. Mesmo quem treina, se fuma, perde grande parte do benefício. O impacto na saúde cardiovascular e pulmonar fala mais alto. - Alimentação desregulada
Treinar e depois ter uma alimentação pobre (ultraprocessados, excesso de açúcar, álcool frequente) reduz bastante o ganho em termos de saúde e anos de vida. - Falta de descanso
Dormir mal de forma constante interfere com recuperação, hormonas e inflamação. O corpo não acompanha o esforço. - Stress crónico
Não é o stress pontual. É aquele constante. Mantém o corpo em alerta, aumenta a inflamação e pode anular parte dos benefícios do exercício. - Excesso de treino
Treinar demais, sem recuperação, faz o efeito contrário: mais lesões, mais desgaste, mais stress físico. - Doenças não controladas
Hipertensão, diabetes, colesterol elevado… se não estiverem controlados, o exercício ajuda, mas não compensa tudo.
A tua segurança é a nossa prioridade.

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