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Tendão de Aquiles preso?

A sensação de “preso” no tendão de Aquiles aparece muitas vezes nos primeiros passos do dia, depois de estar sentado muito tempo, ou no início de um treino. Pode estar relacionado a uma tendinopatia, que é um termo para problemas num tendão (a estrutura que liga o músculo ao osso) que dão dor e perda de função, muitas vezes por sobrecarga repetida. Nem sempre há inflamação, mas sim alteração/degeneração do tendão com dor e desempenho pior. 

Tendinite vs Tendinose vs Tendinopatia

  • Tendinite: quadro mais inflamatório;
  • Tendinose: degeneração/alteração estrutural;

Tendinopatia: termo mais usado quando o quadro é doloroso e funcional, mas sem “carimbo” obrigatório de inflamação ou degeneração.

Em que parte do tendão dói

Quando dói 2–6 cm acima do osso do calcanhar, fala-se muitas vezes em tendinopatia do segmento médio. Quando dói mesmo na inserção, ali onde o tendão se liga ao calcâneo, a compressão e a dorsiflexão excessiva (tornozelo muito fechado) costumam irritar mais. Por isso, exercícios em degrau e alongamentos fortes podem não ser boa ideia neste subtipo, sobretudo no início.

Um teste simples ajuda a orientar: se a dor aumenta com sapatos de calcanhar baixo, com muita inclinação do tornozelo para a frente, ou com alongamento “a puxar”, trata essa zona como inserção e escolhe opções com menos dorsiflexão.

Micro-rotina

Esta rotina irá destravar a rigidez e dar ao tendão um estímulo curto e controlado. Faz uma vez de manhã e, se o dia for pesado, repete ao fim da tarde.

1) 60 segundos – aquecer o tornozelo
Marcha no lugar ou caminha em casa com passada curta, só para subir a temperatura local. Se a dor estiver na inserção, escolhe sapatos com algum “drop” ou uma pequena elevação no calcanhar.

2) 60 segundos – mobilidade 
Encosta-te a uma parede ou cadeira e faz:

  • 20 “bombas” do tornozelo (subir e descer o pé);
  • 10 círculos para cada lado.

A ideia é soltar, não forçar amplitude.

3) 90 segundos – isométrico 
Em pé, segura numa cadeira, sobe ligeiramente os calcanhares e mantém 30–45 segundos. Descansa 15 segundos e repete.
Se a dor estiver mais junto ao calcanhar, faz no chão, sem degrau, e com subida curta, só até onde fica confortável.

4) 90 segundos – elevações lentas para 
Ainda no chão:

  • 8 a 10 repetições a dois pés;
  • 3 segundos a subir, 3 segundos a descer.

Se houver boa tolerância ao fim de uma semana, passa a 6–8 repetições a um pé, com apoio leve na cadeira. Os exercícios de fortalecimento têm a melhor base de evidência na tendinopatia do Aquiles.

5) 30 segundos
Caminha 30 segundos e repara se a passada fica mais fluida. Se a rigidez desce, ficaste na dose certa, em oposição se a dor dispara, reduz a altura das elevações e o tempo do isométrico na próxima vez.

Calçado e pequenos ajustes

Para muita gente, um calcanhar ligeiramente mais alto (temporário) reduz a compressão, sobretudo na inserção, e ajuda a atravessar fases mais reativas. Solas estáveis e espaço suficiente no contraforte também contam; o atrito contínuo atrás do calcanhar estraga qualquer plano.

Erros

  • Subidas, séries rápidas e saltos cedo demais: criam picos de carga que o tendão ainda não tolera bem, mesmo que a corrida lenta pareça “quase ok”;
  • Regra prática: primeiro consistência e força, depois velocidade e impacto.

Procurar avaliação

Dor súbita com estalido, dificuldade clara em andar, incapacidade de fazer pontas dos pés ou de “empurrar” o chão levanta suspeita de rotura e pede avaliação rápida. (Cambridge University Hospitals)

Inchaço marcado na perna, calor, dor e vermelhidão, sobretudo se surge de um lado e sem explicação óbvia, não entra na categoria “tendão preso”; convém despistar trombose venosa profunda com urgência.

Se a dor se arrasta apesar de ajustes e trabalho ativo, ou se volta sempre que tentas progredir, faz sentido uma avaliação em medicina desportiva, ortopedia ou fisioterapia para afinar diagnóstico e progressão.

A tua segurança é a nossa prioridade.

–Equipa Drartus

Perguntas Frequentes Relacionadas:

Em quanto tempo me posso recuperar?

A maior parte das pessoas melhora com tratamento conservador, mas tende a ser lento, muitas vezes na ordem de meses. Há informações que apontam para recuperação completa em muitos casos dentro de 6–9 meses de reabilitação bem feita, e não de uma semana para a outra.

Preciso de ecografia ou ressonância para confirmar?

Na maioria dos casos, não é preciso ecografia ou ressonância. As recomendações de cuidados primários do NICE referem que o diagnóstico costuma ser clínico e que a imagem não é rotina; quando é necessária, a ecografia costuma ser a primeira escolha.

O que é aquele “caroço” no tendão?

Muitas vezes, o caroço é o próprio tendão a ficar mais espesso numa zona, formando um nódulo que se confunde com inchaço. Isso pode acompanhar a dor e a rigidez, mas não significa, por si só, rotura.

Massagem, pistola de massagem e rolo de espuma resolvem?

Podem aliviar a sensação de tensão nos gémeos e dar conforto temporário, mas o que muda a capacidade do tendão costuma ser o treino de carga progressiva. As recomendações clínicas fortes continuam a apontar para programas de carga mecânica (excêntrico ou força lenta e pesada) como base do tratamento.

Palmilhas e ortóteses?

Depende do caso e da resposta do teu pé, mas a evidência para ortóteses na tendinopatia do Aquiles não é consistente o suficiente para uma recomendação “para toda a gente”. Se houver alteração mecânica do pé que agrave sintomas, pode fazer sentido testar com acompanhamento.

Taping ajuda?

Pode ajudar a curto prazo para dor e função em algumas pessoas, sobretudo como apoio para atravessar uma fase mais sensível enquanto o trabalho de carga faz efeito. Nas guidelines, o taping aparece como opção possível.

Ondas de choque são uma boa aposta quando isto não passa?

Há orientação do NICE especificamente para terapia por ondas de choque na tendinopatia do Aquiles, o que mostra que é uma opção usada na prática, sobretudo em casos persistentes. O resultado varia e costuma ser encarado como complemento.

Infiltrações: fazem sentido ou aumentam o risco de rotura?

Há estudos com seguimento longo que descrevem benefícios quando usadas como suplemento a exercício controlado, mas também existe controvérsia e nem todas as abordagens de injeções têm eficácia sustentada comprovada; a decisão deve ser muito individual e bem discutida.

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